Cremerj abre sindicância contra médico denunciado por racismo em São Gonçalo
Órgão informou que o processo vai seguir os ritos obrigatórios do Código de Processo Ético-Profissional; profissional foi demitido da rede de saúde municipal
Por: Thalita Queiroz, O Dia
Publicado em: 23/01/2026
O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) abriu uma sindicância para apurar uma atitude racista cometida por um médico contra uma paciente na rede municipal de saúde de São Gonçalo, na Região Metropolitana. A informação foi confirmada nesta quinta-feira (22) e, segundo o órgão, o processo tramita em sigilo, "conforme os ritos obrigatórios do Código de Processo Ético-Profissional".
No último dia 8, a reportagem do DIA noticiou a denúncia da auxiliar de creche Symone Cordeiro, de 57 anos. Paciente do médico, ela afirma que a situação aconteceu durante um atendimento na Unidade de Saúde da Família (USF) Jardim Catarina. Segundo o relato, Symone esteve no local para solicitar exames de sangue, mas, ao entrar no consultório, diz ter sido tratada de forma grosseira pelo profissional.
De acordo com a denúncia, o médico gritou para que ela abrisse a porta, o que a surpreendeu, já que os pacientes anteriores haviam sido atendidos com a porta fechada. Em seguida, Symone comentou que estava de férias e que aquele seria um bom momento para realizar a série de exames. O médico, então, teria respondido: "Só porque está de férias não penteia o cabelo?".
Ainda conforme o relato, uma enfermeira passou pelo local e chamou a atenção do profissional, lembrando que os atendimentos deveriam acontecer com a porta fechada. Nesse momento, segundo a paciente, o médico fez um segundo comentário considerado racista: "Ela mudou o cabelo, olha como ela está bonitinha", disse à paciente, referindo-se a uma funcionária do posto que também tem cabelo crespo.
Symone denunciou o caso à direção da unidade, que apurou os fatos e demitiu o médico imediatamente. A auxiliar de creche também registrou ocorrência na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), que investiga o caso.


